quinta-feira, 21 de junho de 2012

Entrega da carta a deputada Marina Sant'Anna na Rio+20

Em nome da Bicicletada Nacional, Renato Zerbinato e Mara Marchetti entregaram nesta quarta-feira, 20 de junho uma carta a deputada Marina Sant'Anna. A deputada é presidente da frente parlamentar de defesa as ciclovias.




A carta fala sobre a importância da bicicleta como meio de transporte e pede mais segurança para ciclistas e pedestres.


A deputada não usa a bicicleta como meio de transporte (sua opção de deslocamento é a motocicleta), mas entende que as cidades precisam ser pensadas a partir da escala humana. "Pedestres são sempre ignorados. ( O uso da bicicleta) não é um tema novo no brasil. Todas as leis que tratam de mobilidade no Brasil tratam também do uso da bicicleta no trânsito. O que acontece é que as cidades foram se conformando pra outra lógica, elas são carro-centristas. Elas colocam o carro como o dono das vias. São criadas estruturas enormes, viadutos que inclusive impedem a passagem de pedestres e ciclistas, isso é totalmente absurdo, vai na contra-mão do resto dos países mais avançados na questão dos direitos civis."


E afirma: " Tem que fazer planos cicloviários dentro do plano diretor de mobilidade como um todo, seja da cidade, seja de uma região metropolitana, tem que estar casado com o plano diretor das cidades de mais de 20.000 habitantes..."


Phillip James Fiuza, ciclista que mora em Brasília, atentou também a campanhas de educação no trânsito. "Aqui no Rio de Janeiro pedalar em Copacabana e Ipanema é maravilhoso, mas no resto da cidade... Pela lei, onde tem ciclovia, o ciclista deve pedalar lá. Mas não existem ciclovias que integrem a cidade inteira. Quando você tem algo que segrega a mentalidade acaba sendo pior. Não é de inclusão, mas de segregação."

Phillip foi mais além: "se eu tiver que escolher entre melhorias de calçadas para pedestres, cadeirantes e deficientes e ciclovias eu fico sem ciclovia. Porque a pista é meu lugar também, eu já tenho meu lugar e eles ( pedestres) não tem opção."

Também foi falado sobre os projetos mau executados, que são criados por não-usuários de ciclovias. A deputada ressaltou a importância da colaboração dos ciclistas nos comitês: " Tem que propor uma espécie de conselho que conte com ciclistas, antes de executar os projetos de uso intermodal." E também propôs  um sistema integrado: "A Câmara Federal tem como fazer com as Assembléias Legislativas um sistema de diálogo online. É possível fazermos diálogos nacionais. E ao mesmo tempo a gente dar uma esquentada pra mexer nos parlamentos locais e que a lei seja cumprida."

A lei manda priorizar em primeiríssimo lugar o pedestre, em segundo lugar as bicicletas e terceiro o transporte público. Observou que a lógica está sendo invertida para 5.600 municípios e falou sobre o crescimento das cidades pequenas, onde as pessoas usam muito a bicicleta, chamando a atenção também a essas cidades.

Também sugeriu fazer um material específico sobre a lei orientando as prefeituras como por exemplo um vídeo educacional. Segundo a deputada tem linhas de financiamento que não são utilizadas e a própria lei não e conhecida por muitos gestores. 

Segundo Renato Zerbinato, é impossível que um gestor conheça a legislação, já que ela é bem ampla, não só na questão da bicicleta, por isso entende que esse trabalho de movimento social seja importante. Segundo ele, essa mesma carta será encaminhada  pra todos os governadores e também para a Frente Nacional dos Prefeitos. "Essa é a forma que nós temos de atingir e colaborar".




Abaixo a carta na íntegra.


Carta à Presidenta Dilma Roussef

Excelentíssima Senhora Dilma Roussef
Presidenta da República
O projeto Bicicletada Nacional RIO+20 foi concebido por ocasião da Conferência Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável / RIO+20 e idealizado por grupo de ciclistas de todo o Brasil que utilizam a bicicleta como meio de transporte em suas cidades. Estas pessoas, oriundas de todos os cantos do país, partiram de suas respectivas cidades e pedalaram milhares de quilômetros em direção ao Rio de Janeiro com vistas a sensibilizar o Governo Federal, gestores públicos e cidadãos a entender a oportunidade que o Brasil tem em reduzir suas emissões de gases causadores do efeito estufa a partir de políticas públicas consistentes que promovam a bicicleta como meio de transporte sustentável e altamente viável para as cidades e grandes centros urbanos.
Soma-se a este argumento, central nas discussões sobre as mudanças climáticas, uma série de motivos que levam diversos países a incentivar a retomada das bicicletas nos espaços urbanos, em especial na última década. Além de melhorar a mobilidade urbana e reduzir a emissão de gases poluentes, a bicicleta pode representar importante instrumento de cidadania, educação, saúde pública e inclusão, motivando ações de transformação política, social, econômica e ambiental local. Neste sentido, a bicicleta passa de simples veículo de locomoção para veículo de mobilização social, que comunica diversas mensagens e estimula a prática de valores como respeito, interação e integração entre pessoas e estas com o ambiente, cooperação, inclusão social, valorização da diversidade cultural e étnica, além de amenizar a dicotomia entre sociedade e natureza.
No mundo inteiro, os Governos têm incentivado cada dia mais o uso das bicicletas, principalmente nas grandes cidades, oferecendo sistemas cicloviários completos, sistemas de bicicletas públicas, caminhos cicláveis e seguros, além de outras estruturas e instalações físicas, como paraciclos e bicicletários seguros, campanhas educativas e diversas outras vantagens, além de diversas formas de restrições que desmotivam as pessoas a usar o veículo automotor, substituindo-o por outras formas de mobilidade urbana, tal como a bicicleta e o caminhar.
O Brasil é signatário de vários acordos políticos internacionais que têm como meta a redução de emissões de CO2. E mais, o país tem se comprometido, de forma voluntária, a aumentar a sua meta de redução de emissões previstas nestes acordos. Basicamente, a meta será alcançada com a redução das queimadas florestais, desmatamentos e uso de combustíveis fósseis em veículos automotores. Porém, o investimento e a forma como a política de mobilidade urbana tem sido tratada pelos gestores públicos ainda são pífios e não colaboram efetivamente para a mudança cultural e a inclusão da bicicleta, por exemplo, como meio de transporte acessível, viável, seguro, eficiente e não poluente.
Entendemos que conferências desta amplitude devam estar alinhadas com outras ações da própria ONU. Conferência sobre sustentabilidade e redução de emissão de gases sem tratar a bicicleta como alternativa real de complementação para a solução da mobilidade urbana e sem tratar o Plano Nacional de Redução de Acidentes e Segurança Viária para a Década de 2010/2020 é o mesmo que seguir reinventando a roda, desvalorizar e desconsiderar uma série de reflexões e trabalhos já realizados no passado.
É imprescindível que exista um nivelamento em âmbito nacional, e que o debate se mantenha atualizado através de seminários temáticos, assim como é imprescindível que o avanço deste debate paute a criação de marcos legais e políticos que consolidem a cultura da bicicleta no país.
Os participantes do projeto Bicicletada Nacional RIO+20 são ciclistas comuns, que usam a bicicleta no dia-a-dia e se interessam pelo amplo debate sobre mobilidade urbana sustentável, adequação dos espaços para pleno conforto e segurança dos pedestres e garantia da acessibilidade universal.
A participação intensa de diversos debates públicos, de seminários presenciais e de mobilizações pelas redes sociais, procurando identificar a realidade brasileira e quais as maiores necessidades que os usuários de bicicleta apresentam no seu dia-a-dia, propiciaram o aprofundamento no tema e resultaram nesta carta de intenções, redigida especialmente para a Conferência RIO+20, dirigida às diversas esferas governamentais e que agora é entregue em mãos à representante do Governo Federal, à Frente Parlamentar em Defesa das Ciclovias do Brasil, aos Governadores de todos os Estados e do Distrito Federal e também à Frente Nacional de Prefeitos na expectativa de tornar evidente a importância de investimentos públicos em ações que promovam o uso da bicicleta como meio de transporte diário.
Importante ressaltar a necessidade de, neste ano eleitoral, os candidatos darem atenção ao tema e incluírem diretrizes importantes em seus respectivos programas de governo.
Acreditamos que com a construção de políticas públicas para o incentivo do uso da bicicleta e restrições ao uso do carro individual o Brasil possa colaborar ainda mais com a redução da emissão de poluentes.
O investimento sério nesta área pode reduzir os atuais gastos com saúde pública, prevenindo acidentes de trânsito, transformando paulatinamente as cidades em excelentes centros urbanos, diminuindo o nível de stress, aumentando a qualidade de vida e promovendo um cotidiano mais sustentável, para a atual e as futuras gerações.
Desta forma, propomos:
a) Apoiar ao Programa Bicicleta Brasil do Ministério das Cidades, que pretende criar diretrizes e orientações para a implantação de Sistemas Cicloviários nos Municípios brasileiros e hoje se encontra sucateado, sem pessoal ou nenhum tipo de estrutura;
b) Realizar imediatamente estudos em âmbito nacional sobre a situação do uso da bicicleta nas cidades Brasileiras, como contagem de ciclistas e avaliação das estruturas cicloviárias já existentes nas cidades;
c) Fiscalizar e fazer cumprir a legislação que garante incentivos aos modos coletivos e não motorizados de transporte;
d) Promover a integração da bicicleta com os outros modais;
e) Promover campanhas educativas voltadas à segurança e ao respeito aos ciclistas e pedestres, com ampla divulgação nos canais de comunicação;
f) Criar e manter um programa de formação permanente sobre mobilidade urbana sustentável voltado a professores, servidores dos órgãos responsáveis pelos setores de transporte e trânsito, DENATRAN, CONTRAN, Instrutores dos Centros de Formação de Condutores, Departamento de Estradas de Rodagem, Ministérios dos Transportes, entre outros;
g) Fiscalizar com rigor todos os tipos de infrações cometidas pelos motoristas, como estacionamento irregular e ameaça a ciclistas e pedestres, a exemplo das infrações previstas nos artigos 181, 193, 201, 214 e 220 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB);
h) Incentivar medidas de moderação de tráfego nas cidades, a exemplo da redução do limite de velocidade nas vias e pedágios urbanos como estacionamentos rotativos. Medidas desse tipo incentivam o transporte não motorizado, o transporte público coletivo e aumentam a segurança no trânsito;
i) Incluir o Dia Mundial Sem Carro (22 de Setembro) e o Dia Nacional do Ciclista (19 de Agosto) no calendário de comemorações oficiais, promovendo eventos para celebrar estas datas.
j) Instituir uma política de mobilidade voltada ao pedestre, com o objetivo de criar caminhos seguros, sombreados e acessíveis às pessoas com dificuldade de locomoção;
k) Realizar consultas públicas, audiências, debates, seminários, inserindo a sociedade civil, as entidades ligadas ao tema e especialistas de todo o Brasil na concepção de sistemas cicloviários locais;
l) Apoiar os seguintes Projetos de Lei que estão em trâmite da Câmara dos Deputados:
PL 6474/2009 – Institui o Programa Bicicleta Brasil;
PL 3211/2008 – Objetiva a aplicação dos recursos da CIDE-Combustíveis na construção de ciclovias;
PL 646/1999 – Altera o artigo 320 do CTB sobre a aplicação de recursos de multas de trânsito na construção de ciclofaixas e ciclovias;
PL 1493/2011 – Obriga  importadores e fabricantes de bicicletas a fornecer manual contendo normas de circulação, penalidades, direção defensiva, primeiros socorros e Anexos do CTB;
PL 1043/2011 – Estipula multa de 20% no preço do veículo para quem comercializá-los sem os equipamentos obrigatórios de segurança;
PL 949/2011 – Concede isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados para bicicletas;
PL 3437/2008 – Dispõe sobre a instalação de estacionamentos para bicicletas;
PL 2956/2004 – Desobriga a instalação de campainhas e retrovisores nas bicicletas;
PL 2629/2011 – Obriga a inclusão de ciclovias nas rodovias federais.
Assinam esta carta os integrantes do projeto Bicicletada Nacional RIO+20 e todas as entidades e pessoas que oficializaram seu apoio a esta jornada, incentivando os pedalantes que aceitaram este importante desafio, de atravessar este imenso país, representando e levando a público as demandas dos ciclistas de todo o Brasil.
Atenciosamente,
 COORDENAÇÃO
BICICLETADA NACIONAL RUMO À RIO+20


Rio de Janeiro, 21 de junho de 2012 

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Chegaram as laranjinhas em Sampa.



Foi inaugurado em São Paulo o sistema de bikes compartilhadas do Itau. O sistema existe no Rio há menos de um ano e é um sucesso.
Claro que não podemos comparar as duas cidades: uma é plana, outra não. Uma é pequena, outra não. uma tem 160 km de ciclovia, outra ainda batalha uma ciclovia na Faria Lima ( faço questão de repetir isso sempre, porque é inadmissível que não exista uma ciclovia ligando o Ceasa até o Ibirapuera), e principalmente: uma aceita a bicicleta como parte da cidade e outra AINDA não.


A princípio as bikes estão disponíveis na região da Vila Clementino/Vila Mariana, e depois serão colocadas próximas ao parque do Ibirapuera e Av. Paulista.
Até o final do ano teremos 1.000 bicicletas em São Paulo.

O que muda em São Paulo? 

Este número parece pouco para uma cidade do tamanho de São Paulo, mas achei a escolha do bairro interessante. O bairro da Vila Mariana é um bairro antigo e simpático da cidade, e com muito movimento de carros e pedestres. As "laranjinhas" ( como foram apelidadas no Rio) estão despertando curiosidade e boa aceitação entre os moradores.



A maioria dos deslocamentos que causam 200 km de trânsito é feita por carros que percorrem média de 6 km. Se for possível ter a opção de fazer este percurso de bicicleta quem realmente precisar se deslocar por uma distância grande, poderá fazer sem trânsito. Talvez no começo haja alguma resistência, porque muita gente ainda acredita que não é possível andar de bicicleta em São Paulo, mas com o tempo, acredito no sucesso do projeto.

Não sei se minha observação faz sentido, mas penso que um banco que tem o nome como o Itau, só agrega valores a cultura da bicicleta.
Explicando melhor: ao observar uma bicicleta, algo tão frágil, porém "protegida"por uma instituição financeira de grande porte, talvez isso consiga mudar a mentalidade de alguns cidadãos paulistanos e pode ser que eles consigam aceitá-las como parte do trânsito da cidade.

http://www.youtube.com/watch?v=6kRaJJa5IzQ&feature=youtu.be

Apesar do projeto ser uma parceria entre o Itau e prefeitura de São Paulo, a grande questão é que as bicicletas não vem acompanhadas de uma estrutura segura.

Bicicletas foram pintadas no asfalto nas ruas do bairro sinalizando as ciclorrotas, mas não há uma faixa separando as bikes dos carros. Então há uma grande curiosidade entre os moradores, mas não há segurança suficiente para quem pedala.

Particularmente eu concordo com a sinalização e o compartilhamento da pista na Vila Mariana.
Mas pra quem ainda não se acostumou fica complicado se arriscar no meio dos carros.

E ai fica a pergunta pros nossos governantes: Quando será que a gente vai poder contar com uma estrutura que realmente funcione na cidade inteira?



Sim, a cidade acaba de ser presenteada com 1000 bicicletas e espero que saiba retribuir. Mas acredito que saberá. Desde que troquei o carro pela bicicleta, só fui recompensada.



Pra quem quiser saber como funciona o sistema operacional, este link explica tudo.



terça-feira, 29 de maio de 2012

Posições situacionistas a respeito do trânsito



O que me fez transformar um monte de ideias que eu tinha num blog foi um texto sugerido pelo Cláudio Tozzi, professor da FAU, quando eu fui procurá-lo pedindo ajuda para um projeto de fotos.

Eu tinha feito uma série de fotos nos parques, durante minhas pedaladas pela ciclofaixa aos domingos, e queria me aprofundar um pouco mais.

O texto falava sobre a teoria da deriva, que está na abertura do blog.

Todo mundo que descobre a bicicleta carrega um pouco dessa teoria, mesmo sem saber.

Porque é imediato a mudança na relação com a cidade e no ponto de vista.

Enfim, isso me levou a querer fazer uma pós-graduação, e aqui estamos!

Vou publicar o texto de Guy Debord, escrito em 1959 sobre o trânsito.

1.

O erro de todos os ubanistas é considerar o automovel individual ( e seus subprodutos, como a motocicleta) essencialmente como meio de transporte. A rigor, ele é a principal materialização de um conceito de felicidade que o capitalismo desenvolvido tende a divulgar para toda a sociedade.  O automovel, como supremo bem de uma vida alienada e, inseparavelmente, como produto essencial do mercado capitalista esta no centro da mesma propaganda global. ouve-se com frequencia, este ano, que a prosperidade econômica norte-americana dependerá em breve do exito do slogan: "Dois carros por familia".

2.

O tempo gasto nos transportes, como bem observou Le Corbusier, é um sobretrabalho que reduz a jornada de vida chamada livre.



3.

Precisamos passar do trânsito como suplemento do trabalho ao trânsito como prazer.

4.

Querer refazer a arquitetura em função da existência atual, maciça e parasitária dos carros individuais é deslocar os problemas com grave irrealismo. É preciso refazer a arquitetura em função de todo o movimento da sociedade, criticando todos os valores efêmeros, ligados a formas de relações sociais condenadas ( a familia é a primeira delas).

5.

Mesmo que seja possível admitir provisoriamente, num período de transição, a divisão absoluta entre zonas de trabalho e zonas de habitação, será necessário ao menos prever uma terceira esfera: a da vida em si ( a esfera da liberdade dos lazeres - a verdade da vida). Sabe-se que o urbanismo unitário não tem fronteiras; pretende constituir uma unidade total do meio humano no qual as separações do tipo trabalho-lazer e coletivo-vida privada serão dissolvidas. mas, antes, a ação minima do urbanismo unitário é o terreno de jogos estendidos a todas as construções desejaveis. Esse terreno terá o grau de complexidade de uma cidade antiga.

6.

Nao se trata de combater o automovel como um mal. Sua exagerada concentração nas cidades é que leva a negação de sua função. E claro que o urbanismo nao deve ignorar o automovel, mas menos ainda aceita-lo como tema central. Deve trabalhar para o seu enfraquecimento. Em todo caso, pode-se prever sua proibicao dentro de certos conjuntos novos assim como em algumas cidades antigas.

7.

Quem julga que o automóvel é eterno não pensa, até do mero ponto de vista técnico, nas futuras formas de transporte. Por exemplo, certos modelos de helicóptero individuais que estão sendo agora testados pelo exército dos Estados Unidos encontrar-se-ão ao alcance do público talvez daqui a menos de 20 anos.

8.

A ruptura da dialética do meio humano em favor dos automóveis ( há projetos de abertura de auto-estradas em Paris que acarretarão a desturição de milhares de moradias, enquanto a crise habitacional se agrava cada vez mais) disfarça a própria irracionalidade sob explicações pseudopráticas. Mas sua verdadeira necessidade pratica corresponde a um determinado estado social. Os que julgam os dados do problema permanentes querem, de fato, crer na permanência da sociedade atual.

9.

Os urbanistas revolucionários não se preocuparão apenas com a circulação das coisas, nem apenas com os homens paralisados num mundo de coisas. Tentarão romper essas cadeias topológicas por meio da experimentação de terrenos , para que os homens transitem pela vida autêntica.



quinta-feira, 24 de maio de 2012

Voltando de bike da escola!



Há mais ou menos 2 meses, quando os caminhões não puderam entrar na cidade e começou a faltar combustível, meu filho, de 8 anos me perguntou: "mãe, se acabar o combustível na cidade não vai mais ter carro? nem ônibus? nem moto? Então finalmente vou poder ir de bike pra escola?"

Num outro dia, aproveitei a ciclofaixa pra levá-lo na casa do amigo. Como era proximo a escola, ele questionou: "porque nao podemos ir pra escola de bicicleta?".

"Porque nos dias de semana não há ciclofaixa."

Pensando nessas observações e no trânsito de 249 km que fez hoje devido a greve dos metroviários em SP, resolvi quebrar um paradigma e buscá-lo na escola.

A escola dele fica a 5 km de casa. Desrespeitei a lei que proíbe bicicletas na calçada, mas achei mais seguro. Ele veio na minha garupa. Fui perdoada por pedestres e protegida por motoristas gentis que paravam para que eu atravessasse com segurança.

Sim, fiz minha parte como cidadã, contribuí para uma cidade mais humana, menos caótica, e deixei meu filho muito feliz!

Fico muito orgulhosa de poder compartilhar com ele essa cidade maravilhosa que enxergamos da bicicleta!







Viagem perfeita é assim: de bike do começo ao fim!

Viagem perfeita é assim: de bike do começo ao fim.


Na Praça Panamericana, encontrando Alexandre e Sandra, pra sairmos pro ponto de encontro.

Bike pronta pra viagem!
O ponto de encontro seria em Interlagos, então encontrei a Sandra e o Ale na Praça Panamericana pra sairmos em direção a ciclovia da Marginal Pinheiros. 
Pra nossa surpresa e alegria, nossa amiga Roberta Godinho, a energia e fotógrafa oficial dos pedais apareceu pra nos acompanhar até lá.
Encontramos o Andretta e o Zé Renato na Estação Vila Olímpia e seguimos pra estação Jurubatuba.
A sensação de sair com a malinha no bagageiro da bike, e cruzar a Praça Panamericana as 17 hs sem pegar aquele trânsito infernal de véspera de final de semana com sol é indescritível. E ainda ganhamos um por do sol de presente!
Foto da Roberta Godinho







Roberta Godinho em ação






Outra coisa que já percebi há algum tempo, mas que cada vez fica mais evidente: quem não anda de bicicleta não conhece metade do que a cidade nos oferece! Pedalar nessa ciclovia a noite, tirando o cheiro do rio, te faz perceber a cidade de outro ponto de vista. E é um belo ponto.
Chegamos em Jurubatuba as 18:30, na hora do rush. 
Roberta Godinho, sem perder um detalhe...


Encontra os amigos, come um sanduba, toma uma cerveja, põe as bikes no ônibus, e lá vamos nós! Rumo ao Rio de Janeiro! Direto abraçar o Cristo.
Minha primeira viagem totalmente de bike! Felicidade e realização!






sexta-feira, 18 de maio de 2012

Limão

Mandei essa criação pra rede itsnoon, participando de uma chamada que o Itau Cultural fez sobre o papel da bicicleta na sociedade.



A bicicleta é um simbolo de transformação. Sozinha, ela pode transformar uma vida. Muitas delas juntas podem transformar uma sociedade inteira.
Esse objeto, tão simples e sustentável, está muitas vezes associado a um grande movimento de mudança. São as rodas que movem a energia, que ajudam a dar um novo sentido a vida e tornam a batalha do dia a dia muito mais divertida! 
Por isso, se a vida te der um limão, faça uma bicicletada! 

Mandei algumas outras peças, mas essa que fala sobre transformação é a que mais acredito.

Agradecimentos a Jose Renato Bergo, que me ajudou na arte!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Educando motoristas e ciclistas na cidade planejada para carros.





Há uma semana a CET espalhou faixas pela cidade começando uma campanha para educar motoristas e finalmente inserir os ciclistas como parte do trânsito da cidade.
Um passo bem importante, já que a quantidade de ciclistas aumenta a cada dia, assim como a quantidade de acidentes fatais envolvendo bicicletas. Poderia até dizer uma conquista histórica, porque é a primeira vez que o ciclista COMEÇA a ser VISTO como parte da cidade. Digo "começa" porque até que ele seja totalmente visto ainda faltam muitas medidas.
A bicicleta é considerada um veículo no CTB ( Código de Trânsito Brasileiro), mas é a primeira vez que isso é exposto dessa forma.


A CAMPANHA


Para os motoristas, as faixas pedem para:


- darem prioridade aos ciclistas
- reduzirem a velocidade na ultrapassagem 
- respeitarem o ciclista, mantendo uma distância segura.


1,5m é a distância recomendada. Como vou calcular 1,5m? Simples: basta não tirar uma fina, basta não compartilhar a mesma faixa que o ciclista está ocupando (a da direita) e mudar de faixa para ultrapassa-lo.





Como aqui no Brasil tudo funciona na base da multa, ok, não tem outro jeito, então vamos lá. A partir do dia 14/05 motoristas serão multados ao cometerem essas infrações.


Para os ciclistas:


- respeitarem a sinalização do trânsito
- andarem no bordo da pista.
- andarem no mesmo sentido que os carros
- respeitarem o semáforo.






QUAL SEMÁFORO? O SEMÁFORO FEITO PARA CARROS ?


Há uma questão bem importante que não está sendo levantada:
São Paulo foi toda planejada para carros. OS SEMÁFOROS FORAM FEITOS PRA CARROS, inclusive pedestres não conseguem atravessar em certos pontos da cidade, mesmo com semáforos exclusivos. Quem anda direto a pé pode comprovar: apertar o botão é a mesma coisa que não apertar nada.



Portanto, respeitar essa sinalização para um ciclista é questionável.


Vou explicar melhor:


Quando o ciclista aguarda o semáforo abrir entre a faixa de pedestres e o semáforo ( e não entre a faixa e os carros) é por alguns motivos
1 - para ser visto pelos motoristas.
2 - para conseguir arrancar um pouco antes dos carros, já que ele demora um pouco mais para "dar a largada", principalmente nas subidas.
3 - pra liberar a saída dos carros quando abre o semáforo.


São os mesmos motivos que levam muitos ciclistas a cruzarem o sinal vermelho.


São regras invisíveis, que ninguém nos ensina quando começamos a pedalar, mas se tornam frequentes pela própria segurança de quem pedala.


Não justifico a suposta imprudência, mas que tal termos semáforos exclusivos abrindo 6 ou 8 segundos antes dos carros? Aí possibilitaria que o ciclista saísse realmente em segurança.


Fiz um texto bem detalhado sobre o comportamento do ciclista na cidade planejada para carros, as medidas que outras cidades adotam, e principalmente o eterno questionamento sobre cruzar o farol vermelho.


CARRO X BIKE

Quem está acostumado a andar de carro, não tem ideia de como nossa cidade é pequena, plana (sim, ela pode ser plana dependendo dos caminhos escolhidos), dos cheiros e dos barulhos agradáveis que ela pode ter. A cidade só parece grande pela quantidade de tempo que as pessoas passam dentro dos carros. Concluí que eu levo sempre o mesmo tempo pra chegar nos lugares de carro e de bike. Com algumas diferenças:


Num eu fico parada, no outro eu estou em movimento. 
Num eu gasto gasolina, no outro eu libero endorfina. 
Num eu engordo, no outro emagreço. 
Num eu fico estressada, no outro eu fico feliz!





Ainda falta muito pra São Paulo ser perfeita para as bicicletas, mas essa iniciativa ja é um grande avanço.